Os discípulos e O Caminho

E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a Ele não O viram. (Lucas 24:24)

Este versículo está situado no final do evangelho de Lucas e faz parte da narrativa que trata da conversa de dois discípulos que saiam de Jerusalém e caminhavam em direção ao povoado de Emaús. O fato bíblico ocorreu cronologicamente após a ressurreição de Jesus e antes da assunção do Messias ao céu.

O diálogo entre Cleópas e seu companheiro de caminhada revelava a tristeza e imensa decepção que assolava aqueles dois homens. Eles estavam percebendo que todo o tempo que investiram ao seguir aquele que seria o libertador de Israel havia sido em vão, pois, para eles, o Nazareno estava morto.

O fato de Cleópas e seu amigo serem apresentados como discípulos nos relatos do Evangelista Lucas, realmente é algo intrigante, e vai ao encontro do que a Bíblia revela sobre aqueles que seguiam Jesus. Podemos facilmente perceber que os seguidores de Cristo estão dispostos em círculos concêntricos quando analisamos o relacionamento e o nível de intimidade deles com Jesus Cristo.

Na parte mais externa, encontramos uma multidão que seguia o Mestre para ouvir os ensinamentos, presenciar sinais miraculosos e maravilhas, muitos desses foram abençoados e se alegraram com toda a movimentação que circundava a presença de Jesus.

Em seguida, encontramos um círculo menor, de pessoas engajadas em missões de curto prazo, servindo no desenvolvimento e expansão do Reino de Deus na Terra.

Mais próximo de Cristo estavam os doze discípulos, eles acompanharam todos os passos do ministério messiânico. Ainda dentro deste círculo encontramos Pedro, Tiago e João que estiveram com Jesus quando Ele ressuscitou a filha de Jairo, estavam também no Monte da Transfiguração e no Jardim do Getsêmani. Os relatos bíblicos apontam que o grau de intimidade deles era tão grande com o Salvador que, apenas os três, puderam desfrutar de momentos especialmente maravilhosos junto a Jesus.

Estes círculos concêntricos sugerem que uma pessoa pode estar tão perto de Jesus quanto ela desejar. Para tanto, necessita ouvir o chamado e se dispor a caminhar seguindo os passos e ensinamentos do “Rabi”.

Olhando para os discípulos no caminho de Emaús percebemos que o principal motivo da tristeza e desânimo deles era o fato de acreditarem nos relatos daqueles que eles chamaram de: “alguns que estavam conosco”. Identificamos que os desolados discípulos conheciam quem era Jesus (Lc 24.19-21) e, mesmo assim, optaram por dar ouvido a outras pessoas ao invés de acreditar no que os profetas anunciavam por meio das Sagradas Escrituras.

Devemos ouvir a voz de Deus meditando na Palavra e fechar os nossos ouvidos para o que dizem aqueles que parecem estar conosco, mas na verdade não conhecem verdadeiramente a Cristo. É importante alertar que seguir os seguidores de Jesus é quase sempre uma experiência decepcionante. Inevitavelmente essas pessoas acabam por revelar suas fraquezas e a dor da desilusão é tão terrível que alguns seguidores nunca se recuperam.

O próprio Cristo, ensina aos discípulos de Emaús e a todos nós que o melhor é caminharmos com Jesus e estabelecer um relacionamento íntimo com Ele, alicerçado na oração e na meditação constante da Palavra viva de Deus revelada na Bíblia.

Prezados (as) amigos (as) é hora de darmos mais atenção à voz de Deus, conhecermos com mais profundidade a Bíblia e deixarmos de nos entristecer em vão com notícias ou palavras proferidas por pessoas que nem sempre estão cientes das verdades que só podem ser reveladas por Deus aos que realmente O seguem de todo o coração.

Aldhiney Amâncio

Sobre o autor deste post

Pr. Aldhiney Amâncio

Aldhiney Correia Amâncio é pastor auxiliar na ADNB onde serve ao Senhor a 17 anos, formado em Letras (UnB), servidor público, professor de língua espanhola e estudante de direito (IDP). Casado e pai de primeira viagem, amante do ensino da Palavra, atualmente desempenha a função de Superintendente da Escola Bíblia Dominical.